17 de dez. de 2009

tudo tão estranho, neh?!

Por vezes, cheguei a pensar que disperdicei um ano da minha vida. Passou tudo tão rápido e não me lembro de tanta coisa...
Mas sei lá.
Hoje é minha formatura. Sentimento de tumulto e confusão. Parar e olhar pro nada, perceber que na verdade tudo está calmo demais, as pessoas continuam andando e pensando na mesma velocidade enquanto eu insisto em ir rápido; como quem come com fome de uns 3 dias, mal mastiga e nem aproveita o sabor da comida. Talvez com essa minha mania involuntária eu tenha perdido tanta coisa que meus olhos não conseguiram enxergar porque passei por elas com tanto desdém, sempre olhando pra frente e seguindo rápido, encaixando apenas o que me interessa no meu campo de visão. Quanta coisa poderia ter mudado se eu parasse no caminho e olhasse em volta, se tivesse andado com calma como quem passeia pra admirar a paisagem... Mas não, queria chegar logo no fim, E AQUI ESTOU.
Mas sei lá.
Hoje eu parei.
Talvez não tenha sido tão em vão assim. Recordo coisas bonitas, e os espinhos prefiro cortar as pontas. Não quero sangrar meus olhos toda vez que olhar pra trás; nem lamentar o que deixei de viver pra chegar logo aqui. Até porque... continua tudo tão igual. O mundo gira na mesma velocidade e o céu tem as mesmas cores, o dia tem o mesmo cheiro, e ainda dura 24 h. Só eu que esperava mudar demais. Não mudei nada. Faltam só algumas horas pra uma cerimônia que no fundo só quer dizer: "parabéns, vc se livrou da escola".
Romântica que sou, idealizei tanto isso... Como idealizo todo final de cada ciclo. Já pensei até no fim da minha vida. Mas quero me livrar dessa mania. É sempre tão triste pensar "Já acabou?" e ver que nem foi aquilo tudo que eu tanto projetei. Sempre esperando demais de tudo e todos. Mas tudo é feito por todos, e todos são apenas humanos. Vulneráveis ao erro e equilibrando-se no abismo do fracasso. Estou cercada deles, e por mais que eu sempre pense que existam exceções, elas sempre me desapontam no final.
Vou tentar andar no ritmo normal das coisas, e deixar que só a vida se encarregue de programar o meu final, já que é tão em vão pensar sempre no final perfeito pra tudo.
Olhar pra trás e sorrir como quem diz "Foi tudo tão estranho, neh?!"

4 de dez. de 2009

o velho clichê do mel ao fel

É uma questão de tempo até o mel ser somente favo, o favo transformar-se em fel, e restar somente a lembrança de termos consumido todo o mel.
Ou não. Talvez a lembrança de termos parado em meio. Meio mel. Então nos cansa tanto doce e ansiamos algo amargo, pra suportar continuar o mel. Mas enquanto o evitamos, deixamos exposto, vulnerável; o mel muda, o mel seca, esvaece o doce, muda o gosto...
Já não faz sentido provarmos do mesmo mel.

Mas se o fel é que nos consome, o pouco mel é salvação.

mel mel mel, que seria de ti sem o atrevimento do fel.

2 de dez. de 2009

Censurado.
Sem grilos de mim
Sem desespero, sem tédio, sem fim