Amanda vomita:
é horrível ter que usar as unhas pra desprender de mim meu próprio corrosivo.
Arde, mas no fundo serve pra amenizar todo resto.
Sei também que os azulejos da parede do banheiro não têm culpa,
nem meu punho é tão forte que possa castigá-los pelos meus pecados.
A mandíbula, pobre iludida, mal consegue abraçar o joelho.
Sou um fracasso contra mim mesma. Quando os dentes anseiam por comprimir algo, nem os caninos vencem a superfície.
O maior defeito que me vejo: conter toda inundação.
Caneta e papel são a melhor surra que posso levar.
Escorre aqui, vestígios de qualquer coisa capaz de me fazer parar. E eu parei.
É como esparramar toda pólvora que queimava de uma vez.
Ou canalizar o vazamento que desmoronaria a barragem.
E de súbito, respiro no ritmo do azul. Leve, largo tudo que possa pesar.
Amanhã corto minhas unhas. Arrumo uma caneta nova, e se o corrosivo impregnar de novo na carne, deixo o fluxo da correnteza lavar minhas mãos.