29 de ago. de 2009



E hoje eu perdi o pôr-do-sol.

Me deparei com a angústia de estar desperdiçando meu dia, toda vez que sentava e olhava o relógio sozinho na parede. Nada além do tempo que passava.
Quando deitada na rede, olhava a caixa d'água em meio às plantas que cresceram em volta. A luz do sol me tocava o rosto aos poucos, por entre as folhas que não detiam toda luz. E cada vez que o vento balançava com força, o sol me cegava os olhos. Não distinguia ao certo o que pensava... Meus pais estavam felizes, e eu queria que isso bastasse. Mas o retalho de algum sentimento confuso me inquietava. Eu me sentia bem, sentia viva. Acho que eu queria poder compartilhar isso com alguém.

Esclarecimento - escurecimento

olhos riscados de vermelho urucum,
já nem precisam sair da mata pra ver a cidade,
e pingam.

serpentinas... ?!?

Ainda me faço crêr que existam pessoas contra a banalização sentimental. E clamo pra que estejam por perto.

12/08/09
é como se eu carregasse o peso do mundo nos joelhos, e, sem uma explicação racional, os sinto sangrar. Meus olhos não fecham mais, e tudo que preciso é de algumas horas de sono. Sei que quando acordar tudo vai mudar...
vai sim.

No fim, tudo se resume a um amontoado de estilhaços no canto do quarto; como aquele copo que caiu do alto e eu nunca juntei os cacos.

pingo
 Amanda
Jenny esclarece:

Sabe a acetona, a gasolina, o álcool... São substâncias que, se esquecidas por muito tempo expostas às condições do ambiente externo, tendem a mudar sua forma, são voláteis, evaporam facilmente. Quando percebemos, nem existem mais ali onde as deixamos.
Existem certos sentimentos no ser humano, que se esquecidos como a acetona aberta, tendem mudar, fugir, sumir... e tudo por um simples descuido com o pote.

E se minhas mãos não doessem tanto, eu poderia tentar fechar o pote, já que ninguém se importa com a acetona, que é vendida a preço de um sorriso... Mas polui, sabe? e eu me importo com isso.


22/08/09
Me sinto como um balão sendo cheio por uma criança que não entende o limite das coisas. Inflando mais e mais... e mais...
e mais...
mas...

Um torpe sente

23/08/09
O carnaval dos meus dias se acaba sem serpentinas
"Pierrot sem Colombina" - perdida entre tantas ruínas
Mas quem se importa
com o fim de tuas meninas?

Se choras, dizes o que sente,
eles te riem,
Como se apenas dissessem:
"Logo passa,
segue em frente."

Mas eu sei,
Meu caminho descontente
se sorrí, só mostra os dentes
Quem se importa
se te tornas demente?

Se piras, dizes o que sente,
eles te gritam
Como se apenas dissessem:
"Pára com isso,
Logo passa, segue em frente."


Mas eu sei,
a música não vai parar de tocar.
E se quiseres me ver livre,
não duvide,
Das risadas que me riem
Das vozes que me atingem

Se me calas, quando digo o que sinto,
A tendência é explodir.
Mas eles me giram
como se apenas dissessem: "Logo passa, você ainda vai sorrir."

Mas eu sei,
não é simples assim.
Como se apenas dissessem: "Fim".

ão

n
Mas se tivesse capacidade guardava tudo aqui dentro.
Não quero esperar tanto assim de mim.
14/01/09
Me excita
Dizer “eu te amo”
por mais que eu saiba
Que é vazio e não amor de jeito nenhum.

João Ninguém: - Espero que você morra.

Soraia: - Se eu morresse realmente você se sentiria tão culpado, perturbado, que morreria tbm. Se não morresse enlouquecia. Até pq eu deixaria dito que foi pra atender o pedido de um qualquer que desejava minha morte com tanta vontade que me senti incapaz de recusar.
não vou fazer isso com você.
E olhe que não costumo ser misericordiosa.

por trás de todas essas coisas

Anacronia dos dias.
E o dia começou com o maldito silêncio.
Eu posso ouvir os ecos do meu pensamento;

nada

untitled

04/03/09
solitária na multidão, uma multidão na solitária (?)
um vazio no coração, um coração no meu vazio (?)
um grito no escuro, um escuro no meu grito (?)
a angústia do meu dia, um dia na minha angústia (?)
o horror no meu jardim, um jardim no meu horror (?)
A dor num sonho, o sonho na minha dor (?)
A esperança da humanidade, a humanidade da esperança (?)
- na minha esperança.
O medo da vida, a vida de um medo (?)
- do meu medo
A lembrança de um sorriso, um sorriso na minha lembrança (?)
- uma lembrança no meu sorriso
A falta do abraço, o abraço...
- o abraço (...)
O entorpecer da minha mente, a minha mente a entorpecer (!)
- entorpecer (?)
Contrariando meus princípios, meus princípios me contrariando (?)
- princípios ? (??)
seus.
A confusão na objetividade, o objetivo na minha confusão (?)
- confundir objetivos?
Querer gostar, gostar de querer (?)
Incapaz de sorrir, o sorriso de um incapaz (?) - um sorriso incapaz
Capaz de fazer sofrer, sofrer por se fazer capaz (?)
As mentiras de uma vida, uma vida me mentiras (?)
- minhas mentiras (tuas?) - dele ? - nossas? - (vossas) ?
A luz no fim do túnel, o túnel no fim da luz (?)
Nascer, morrer, valer. Demorar pra nascer, pagar pra morrer, morrer pra valer.
O embaraço de um pensamento, o pensamento de um embaraço (?)
- meu embaraço (?) - meu pensamento (?)
Um pensamento embaraçoso, um embaraço pensante (?!)
Correr pra conseguir, conseguir pra correr (?)
Fingir pra fugir, fugir pra cair, cair pra afundar, afundar pra sair, sair pra tentar, tentar pra sorrir, sorrir pra amar, amar pra sofrer, sofrer pra aguentar, aguentar pra desistir, desistir e fingir, fingir pra fugir...
Desconhecer o amor, amar desconhecer (?)
Confundir-se ao sentir, sinta a confusão! (não!)
O mundo lá fora, o fora do mundo (?)
um V pra sofrer, um V pra sentir... (...) ...
O despertar de um sonâmbulo, o sonambulismo ao despertar (?)
Fechar os olhos pra realidade, cega. ( )
Temer me tocar, temer me sorrir, temer me falar, temer me sentir, temer me temer (.?)
Distanciar o impossível, impossibilitar a distância (/)
Presenciar uma perda, perder uma esperança (?)
Esperar uma presença...
Dualizar meu pensamento, limitar o meu querer, angustiar o meu prazer, adiar o meu você... (s) (?)
Não entender o meu dizer...
Esdrúxulos dizeres, de um talvez "nada a dizer",ou quem sabe, um "não saber".
Espertíssimo você! sim!
Exatamente!
nada faz sentido algum.


as cores fazem tudo parecer tão mais legal

É uma pena que Soraia sabe disso,
do "parecer"

19/04/09
Soraia escarra:

"eu juro, juro que procurei...
por trás de todas as coisas sujas que existem em mim.

Pocurei um motivo pra não ir mais longe, pra não dar um passo a frente. Procurei em cada canto escuro, em cada nó.
Evitei as lembranças... apenas as lembranças.

Queria algo em mim.
Algo que me fizesse realmente ñ querer querer ñ querer mais.

e eu sou tão covarde comigo mesma que tive medo de continuar procurando. (e não encontrar nada).

e apenas caminhei até em casa, sozinha na madrugada, pensando em cada aborto da minha vida. Abortei minha felicidade por tantas vezes, abortei minha esperança, abortei meus sentimentos... E me via naquele instante tentando abortar meus pensamentos, pra abortar a solidão.

A musica continua tocando, e a festa parece tão legal...

abortar minhas lembranças ñ parece uma solução.

Mas se um dia eu me tornar só uma lembrança pra você, por favor...
ABORTE-ME.

Mas eu sou boa em ser desconfortável então eu não posso parar de mudar o tempo todo

"Não é hora para mudanças
Apenas relaxe e se acalme
Você ainda é jovem, essa é a culpa
Há muito que você deve saber"


bla bla bla bla bla bla bla bla bla bla

eu sou uma bolha de sabão
rezando pra não tocar em nada
nunca.

rezando pra que ninguém nunca queira me tocar


[Soraia]

nada

Eu: - O que você faz aí na janela esse tempo todo?

Soraia: - Desejando que minha bolha não atraia nenhum olhar de apreciação, evitando que alguém a queira tocar. Malditos humanos e seus sentidos, não se bastam apenas ao olhar. Querem tudo nas mãos.
Comecei com o nada, terminei com minha bolha de sabão.
Fazer o que, se faz parte do meu ser, emaranhar idéias... Apenas expresso exatamente como elas acontecem aqui dentro, todas entrelaçadas, um nó só."

e eu ainda não entendi nada.

os seres todos convivem em um mesmo tempo/espaço. Nosso próprio tempo é um tempo aleatório, um tempo ao qual nenhuma outra pessoa tem acesso, um tempo que não precisa ser explicado pra saber que existe, um tempo que não existem horas, um tempo no qual vivemos juntos sem que a outra pessoa saiba.
Mas tente entender, você ja se sentiu tão distante do mundo, como se você não fizesse mais parte de nada daquilo? é mais ou menos isso.

Like a Machine.

Os sentidos se confundem,
sintomas,
 Abstinência de mim mesma.

glup glup glup

Por favor, mundo, onde foi que me escondeste?


Antes um conflito, a permanecer numa monotonia existencial.
É uma questão de ordem. Não tenho controle pleno de meus pensamentos, talvez nem queira ter.
talvez nem seja tempo.
E é tão fácil saber. Já chegam agradando, mal sabem disfarçar, e mal sabem também o quanto me causam nojo.
Exceto quando quero ser bajulada, ou entregar-me. Faço-me de sonsa, mas são casos a parte.
Queria ter o poder de apertar um simples botão e explodir todas as cabeças que me despertarem o desejo de ver miolos ocos fazendo 'poc' ao tocar o chão."

eu queria o silêncio e a calmaria.
Queria poder escrever algo sem o barulho da televisão
Eu poderia sair daqui, mas não consigo para de me cegar com a luminosidade do monitor.
Sinto como se tudo nesse inverno estivesse congelando por aqui.
Eu acho que sempre menti.
Advérbios temporais assombram minha mente. Me confunfem.
Besteira! sou eu que não entendo.
Tudo por quê? Por quê?
eu acho que sei, mas se eu assumisse pra mim agora, quebraria todo o sentido.
Quando Welles disse: "Um filme morre quando se torna simples veículo de uma mensagem", ele se referiu a "filmes" porque essa era sua arte, mas a ARTE é quem morre quando se torna simples veículo de uma mensagem.
Eu não sou um filme, ou uma arte, mas tudo o que traduzo para o alheio É arte. Escrevendo, atuando, dançando, jogando... É arte. E eu jamais trairia a arte expondo sua essência de forma objetiva. Por vezes, e muitas vezes, sou mal interpretada, mas rara é a arte entendida conforme a idéia do artista :T
eu me interrompi, não consigo chegar no final.