18 de fev. de 2011

Amanda vomita:

é horrível ter que usar as unhas pra desprender de mim meu próprio corrosivo.
Arde, mas no fundo serve pra amenizar todo resto.
Sei também que os azulejos da parede do banheiro não têm culpa,
nem meu punho é tão forte que possa castigá-los pelos meus pecados.
A mandíbula, pobre iludida, mal consegue abraçar o joelho.
Sou um fracasso contra mim mesma. Quando os dentes anseiam por comprimir algo, nem os caninos vencem a superfície.
O maior defeito que me vejo: conter toda inundação.
Caneta e papel são a melhor surra que posso levar.
Escorre aqui, vestígios de qualquer coisa capaz de me fazer parar. E eu parei.
É como esparramar toda pólvora que queimava de uma vez.
Ou canalizar o vazamento que desmoronaria a barragem.
E de súbito, respiro no ritmo do azul. Leve, largo tudo que possa pesar.
Amanhã corto minhas unhas. Arrumo uma caneta nova, e se o corrosivo impregnar de novo na carne, deixo o fluxo da correnteza lavar minhas mãos.

27 de jan. de 2011

É assim, se deslizar no barranco o negócio é fincar as unhas na borda. Pode doer um pouco no começo, mas se insistir vai ver que só mais um impulso com os pés e você já consegue levantar.

7 de jan. de 2011

Confunso tudo. Porque sonho, e meus limites são por vezes tão fugazes.
Mas quem não sonha caminha sem rumo. Então tudo bem que essa mescla de olhos abertos e sonhos simultâneos seja tão confusa a ponto de meus pés se soltarem do chão.
Eu sonho com um mundo melhor.
Onde a existência não é uma competição.
E o homem vai olhar pro homem e enxergar evolução, ao invéz do ilusório desenvolvimento sinônimo de destruição.
Eu sonho. E por isso acredito na revolução.
Sonhar não quer dizer só fugir da realidade imaginando um arco-íris no jardim.
Eu falo de DESEJO, VONTADE, SEDE, OBJETIVO, META. Pro nosso caminho fazer sentido, devemos querer alcançar algo. E nenhum caminho está determinado, somos nós que o construímos.
Sonhos movem o mundo.
Sonhos movem nossas vidas. Ninguém vive sem sonhar, do contrário nenhuma conquista haveria acontecido por qualquer ser humano.

conviteself

Tenho me sentido convidada, todos os dias, cada vez mais, a pular do ninho.
Estranhisse conformada, pra conseguir sobreviver.
Parece que cresço e já não caibo mais aqui. Paredes opressoras mas cansadas demais pra me conter.
E se me nego a cair fora, diminuo a cada grito sufocado no travesseiro velho de criança.
Faz parte. A gente é que sabe quando o calçado não serve mais, insistir em fazer caber é como querer voltar pra placenta depois de ser cuspido por ela. É limitar-se apenas até onde o atraso te permite chegar.
Sou "quase responsável" por meus atos 'perante a lei'. Acho a maioridade civil um tanto injusta. Há tantos 'maiores' imaturos quato 'menores' quase já passados. Se ela diz respeito à responsabilidade do homem pelos próprios atos, deveria, sem dúvidas, ser independente de uma idade, e sim da verdadeira maturidade.
Como instaurada, a maioridade atrasa uns e apressa outros que não coincidem com o crescimento pessoal aos 18 anos.
Contive tantos planos por estar limitada. E é triste, mas eu sei... completar 18 anos não quer dizer liberdade. Talvez ampliação de horizontes...
Mas não é bem nisso que eu prefiro acreditar.