23 de abr. de 2010

Eu não sei porquê.

hoje nada parece querer atingir o meu sorriso.
Sensação estranha, diferente. Sem peso nos joelhos...
Como se eu estivesse na calmaria de uma bolha enquanto o mundo se destrói lá fora. Nada quebra o silêncio aqui.
Não sei que parte de mim perdi por aí - e nem quero saber - sinto bem melhor assim.
Até senti medo, por um breve momento - tempo de um devaneio passageiro - pensando ser isso um tipo de transe que se tem quando se sabe que vai morrer. Não aceitei a idéia. Perturbava a calmaria.
Meus braços tremem. Não sei se do frio que espelham essas paredes cor de gelo ou se existe algum outro motivo pra isso. Não sinto frio.
Sinto um abraço, mesmo sem ninguém por perto. Em todos os sentidos.
Sinto cheiro de flor, sinto cheiro de dia ensolarado, mesmo com o tempo feio. E um gosto doce na boca.
Não usei nenhuma droga. Dessa vez, não.
Ostento no rosto um sorriso leve, como fosse espelho do meu todo.
Um pós-orgasmo-sem-fim. Tão igual que ainda sinto os espamos das minhas pernas.
Um dia cinza sem gosto de cinza. Chove, venta, escurece o céu... e isso tudo me faz bem.
Não sei se acordo amanhã sentindo o mesmo.
Sei que vou lembrar de um dia na minha vida em que o incômodo não se fez presente. Existi confortável, e talvez seja por isso que muitas pessoas gastam seus sorrisos por aí, e eu nunca compreendi. Mas sinto como se fosse só meu, inexplicável por completo e ninguém mais fosse capaz de sentir assim.
Vontade de acordar amanhã, e depois, só pra sentir igual.
Sem ninguém, nem nada.

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