7 de abr. de 2010

Verônica decidiu e morreu pela décima sétima vez

em seu décimo sétimo outono.
sem remorsos, sem legados, sem fome, sem frio.
De dor, rancor. Sozinha.
Na meia luz da sala de estar. Entre os livros do seu pai.
Pensando ser errado dizer que Verônica morreu se ela nem
estava ali. "Seu corpo gélido deixou de respirar", seria
o mais certo a se dizer.
Morte 'assassina' que se deu aos poucos. Primeiro persona,
ideais; em seguida amigos, logo depois o amante, e, por
fim, asfixia seu corpo álgido.
"Vai ver, morreu de vez". Mas seus discípulos ainda esperam
a ressureição ao terceiro dia, a subida aos céus e o jantar
a dois com deus pai todo poderoso.
Mas a cor esvaeceu há tempos... Nem mais o vermelho das unhas
durava mais de um dia. O verde dos olhos já não mais refletia
o prisma. Nem sequer o abraço ansiado por tantas luas aquecia
seu corpo frio. Já sem pulso. Morreu de vez sem nada de mais
matar que já não tivesse morrido antes, vítima de causa qualquer.
Agora jaz, (s)em paz.
Há de servir como adubo às margaridas, quem sabe. Lindos lírios ou
pés de cegueira. Sendo assim se não estéril. Mas, do contrário,
ao menos servirá de café da manhã aos vermes. Perpetuando livre
de ter morrido em vão.
Descansando (s)em paz.

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